terça-feira, 29 de abril de 2008

O Poder da Válvula


No início dos anos do áudio, as válvulas faziam a atividade de dispositivos ativos. Atualmente ainda são utilizadas em aparelhos High End e em caixas amplificadas para instrumentos (guitarra elétrica). Um amplificador valvulado geralmente funciona sob altas tensões de alimentação e baixas correntes, o que torna necessário o uso de transformadores de saída para adequar as impedâncias de saída do amplificador (altas) com as baixas impedâncias dos alto falantes. Os valvulados podem ser montados em topologia Single-End, onde apenas uma válvula amplifica todo o sinal, mas com baixo rendimento (classe A) e com topologia Push-Pull onde pares de válvulas são conectadas ao transformador de saída de forma que cada válvula de cada par amplifique apenas um semi-ciclo (positivo ou negativo) do sinal de áudio. São muito usadas válvulas pentodo de potência como elementos de saída tais como KT88, KT66, 6550, EL34, EL84,6L6 e 6V6 entre outras.
Com a invenção dos transístores, as válvulas foram pouco a pouco substituídas por estes novos amplificadores, devido às vantagens de menor consumo de energia, maior durabilidade, menor tamanho e custo menor. Os amplificadores transistorizados têm comportamento diferente dos valvulados, a distorção é diferente e não necessitam de transformadores de saída para casar as impedâncias dos alto-falantes

O verdadeiro motivo pelo qual amplificadores valvulados soam melhor do que seus descendentes solid state é a diferença das características de seus componentes ativos ou seja, válvulas e transistores. Os transistores saturam-se com extrema facilidade e é exatamente por isso que é difícil projetar um amplificador solid state com som limpo, sem distorções.
A válvula satura-se com mais dificuldade e por isso os amplificadores valvulados apresentam um som tão limpo e cristalino. Mas, quando se usa distorção (saturação) é que os solid state ficam ridículos (Em tempo: quando falo de distorção/saturação, refiro-me aos altos volumes e não à utilização de pedais overdrive, ok?).
Os transistores, assim como as válvulas, geram freqüências inexistentes no som original (som da guitarra), além de achatar demasiadamente os picos da forma de onda. Essas freqüências sempre são harmônicos de cada freqüência original e é aí que reside a principal diferença sonora. Os transistores geram harmônicos de todas as ordens e as válvulas geram, apenas, os harmônicos pares. O resultado é uma distorção clara e firme nos amplificadores valvulados e uma distorção "suja" com graves e médios-graves "ocos" nos solid state. Num acorde distorcido nos valvulados notam-se todas as notas; é possível dedilhar deliciosamente e emendar um solo arrasador seguido de uma palhetada delirante nos bordões.
Nos solid state só conseguimos chegar mais ou menos perto disso, com amplificadores extremamente bem projetados, de som limpo, e utilizando overdrives valvulados, mesmo assim obtemos a típica distorção de pré. Outros dois fatores que moldam o timbre dos valvulados é a ressonância da própria válvula que é oca e trabalha com vácuo e o transformador de saída, que não é linear e, portanto introduz modificações no timbre (Os transistores não necessitam de transformadores para acoplarem-se aos alto-falantes, já as válvulas, devido a sua alta impedância de saída, devem ter essa impedância casada com a dos alto-falantes). Isso modifica drasticamente as características originais do sinal da guitarra. Um inconveniente da distorção dos valvulados é que só conseguimos os melhores timbres com altos volumes (você tem vizinhos?) pois as válvulas saturam-se quando estão trabalhando com altos ganhos e isso, nos pentodos ou tetrodos de saída, significa regime de alta potência.
Com iniciativa comercial da Marshall, temos hoje diversos amplificadores híbridos (amplificadores que combinam válvulas e transistores, de forma a diminuir o custo de produção). Infelizmente, esses amplificadores utilizam uma única válvula no estágio pré-amplificador (uma 12AX7, normalmente) com alta saturação, e o estágio de potência é transistorizado... Esses amplificadores, apesar de não terem (nem de longe) o timbre de um completamente valvulado, são muito populares pois satisfaz aos guitarristas que nunca tocaram num JCM800 ou similar. Esses amplificadores são a linha ValveState da Marshall. Muitos outros fabricantes já estão fabricando amplificadores desse tipo, como a Crate, a Meteoro (no Brasil), a Fender e outras. Trata-se, no entanto, de aparelhos caros e sem utilidade, uma vez que é possível obter o mesmo efeito com pedais overdrive valvulados e amplificadores transistorizados mais baratos.
Sem sermos radicais num ou noutro sentido, deduzimos pelo que foi apresentado que não é que os amplificadores valvulados são melhores. Simplesmente gostamos mais de seu timbre. Para isso é plausível suportarmos choques elétricos, zumbidos, instabilidades com as mudanças de temperatura, etc. (Eu, pessoalmente, acho que VALE A PENA!!!)
Então, se você concorda comigo, que gosta do timbre e da distorção dos valvulados, a solução mais econômica é utilizar um... verdadeiro amplificador valvulado! Enquanto existirem fabricantes de válvulas, mesmo os que sobraram (chineses (argh!) e Russos) poderemos ter esses maravilhosos amplificadores à disposição de qualquer guitarrista de bom gosto.


Fontes:
Wikipedia
http://www.mundofisico.joinville.udesc.br/

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